quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Versos a esmo

Estes versos saíram a esmo. Refletem a falta de paralelismo dos meus pensamentos e a incongruência dos meus sentimentos.

Posso pedir

pra você pelo menos passar por mim,

pra eu te olhar

e ver que ainda existe?

Sentir que realmente tudo não passou de um sonho

e assim poder te amar tranqüilo

por todo o tempo em que eu ainda estiver vivo?

Será que tenho direito a revolta,

tendo nós vivido a eternidade e visitado o paraíso

porquanto durou o nosso amor,

sendo que alguns passam a vida inteira sem conhecer esse sentimento?

Como pode eu e você não ficarmos juntos

Se juntos nossos corações agora estão?

Como pode alguém morrer de amor

Se morte e amor parecem tão incongruentes?

Como posso eu te desculpar,

Se por amor a você eu sinto vontade de morrer?

Te desculpo

Mas morro junto.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Motivos Escusos

Motivos escusos...
Minha certeza de que trago muito amor, vejo com clareza
Minha verdade tem o aval de meus desejos e sentimentos mais sublimados
Minhas intenções e aspirações me deixam orfão de um grande acontecimento

Motivos escusos...
Meu censo de decência me mantém na expectativa
Meu auto-controle racional sobre tudo quanto é necessário perspicácia
Me abandona nesses momentos de debandada sentimental

Motivos escusos...
Caio de joelhos diante da espera e investidas fracassadas, tentativas de vida, convites cheios de sagradas promessas
Devo ter banalizado o amor noutra vida
Para ter de conviver com tantos dissabores na área do bem-querer

Motivos escusos...
Toda carga de fluídos e esforço mental canalizados para alguém
Retornam para mim sem que possa compreender a recusa
A dor de amor bate em minhas portas

Motivos escusos obstruem meus anseios
Algo invisível, escondido, protegido da verdade
A felicidade está logo ali ao meu alcance
Eu falo de amor, de felicidade, de momentos de sonho e de paixão

Motivos escusos...
Castrado, violentado, desrespeitado pela sorte
Se eu pudesse controlar o tempo, eu voltaria até o dia que nos amamos
Só pra dormir abraçado a você outra vez

Sérgio Pecoraro 06/01/2011

Obrigado pelo texto, pai.
Talvez só você entenda o que eu sinto,
Muito provavelmente melhor do que eu mesmo.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Tempos Indecentes

D
ifícil ser decente em tempos como este. Decente ao ponto de ser gentil sem causar estranheza, decente ao ponto de sonhar quando tentam enterrar sua mente na terra. Decente ao ponto de amar e se entregar ao amor sem assustar e espantar a pessoa amada.
Cada vez mais chego à conclusão de que não pertenço a este tempo. Ou então se não eu, minha cabeça não está de acordo com esta época. Longe de qualquer tipo de vaidade, acredito que ainda vou sofrer muito sendo do jeito que sou, acreditando no romantismo e no amor. A cabeça das pessoas é repleta de desconfiança justamente por vivermos em tempos como este. Infelizmente acabamos entrando num “ciclo vicioso da indecência”: tempos indecentes geram desconfiança nas pessoas que, justamente por estarem desconfiadas, não dão credibilidade a quem demonstra seus sentimentos de peito aberto. Por fim, após apanharem bastante, esses que amam e sabem amar acabam se calejando e se juntando à multidão desconfiada.
Em resumo, tempos indecentes geram pessoas indecentes. Infelizmente sinto que aos poucos estou me tornando uma delas. Mas enquanto isso não acontece, sigo acreditando no amor sem limites, lutando pra que minha ferida não pare de sangrar e acabe por cicatrizar.