sábado, 25 de setembro de 2010

Medo da Morte

“E eu não tenho medo de morrer,
A qualquer hora pode acontecer, eu não me importo.
Porque eu deveria ter medo de morrer?
Não há razão para isso,
Você tem que ir algum dia.”
- The Great Gig in the Sky, Pink Floyd

Eu tenho medo de morrer.
Não sei se medo é a melhor palavra, mas é a única que me ocorre no momento. Medo do que me espera, talvez. Ou medo do que não me espera. Medo do nada. Não da inexistência de algo “do outro lado”, mas sim da redução da minha existência neste lado a nada.
O “mundo cão” em que vivemos já possui uma habilidade especial de nos generalizar no dia-a-dia. Um esforço para nos reduzir à insignificância. De certo modo lutamos para fazermos jus à nossa existência neste planeta - existência essa que nem sabemos se tem sentido ou não. Queremos ser notados, escrever nosso nome na história e de alguma forma sermos lembrados. Todas essas formas de prolongar ao máximo nossa existência para além da putrefação da carne.
Talvez “existência” não seja a melhor palavra também, mas sim a “boa e velha” sobrevivência. Se já não bastassem a força da gravidade que nos mantém “pressionados contra o chão” e o próprio ar que nos corrói as entranhas desde o momento em que deixamos o ventre materno, as situações a que somos submetidos no cotidiano nos pisoteia e bota nossos nervos de aço à prova, em uma verdadeira versão moderna e artificial da seleção natural. Sobrevivemos para que, afinal? Por que não simplesmente nos deitamos e esperamos a morte chegar? Por que não simplesmente tiramos a nossa própria vida? Muitas pessoas dizem temer a morte devido à separação dos seus entes queridos. Um pouco tolo, pois se não se garante “a luz no fim do túnel”, para que se preocupar com a sua cor?
Mas, enfim, por que a grande maioria das pessoas se convence de que vale a pena viver? Se a existência é penosa para homens e mulheres, ricos e pobres, raposas e jacarés, por que não simplesmente abdicamos de sua provação? Mais uma vez o medo da morte está presente, mas não sozinho. Existe também a curiosidade humana em viver a vida para descobrir o que ela significa, para tentar decifrá-la e provar do que os que “já se foram” antes tentaram definir – e mesmo assim, acredito ser impossível chegar a uma conclusão una. Afinal, não faz parte da natureza humana deixar mistérios sem resolução.
Tenho medo da morte como tenho medo da vida. Mais que o medo da morte, prevalece o medo da minha fraqueza vil, do meu orgulho e do meu egoísmo, que de certa forma me fazem morrer por dentro. Não temo a separação, que é inevitável, mas temo os momentos que deixo passar despercebidos e as muitas situações em que mino consciente e inconscientemente as oportunidades de criação de momentos por preguiça e por sórdida indisposição de espírito. Porque se ainda não conseguimos decifrar a existência, e é bem provável que nem cheguemos perto de termos sucesso nessa busca, o mais próximo que chegamos de seu sentido é pelas experiências que nos fazem sentir que estamos vivos.
Eu tenho medo de não viver.

sábado, 10 de julho de 2010

Chatice ou Simplicidade?

Não sei se pela minha insatisfação quase que constante, fruto da minha percepção em relação à intensidade com que o "mundão" se esforça para nos engolir, ou se pela precoce maturidade que adquiro com a passagem do tempo acerca de assuntos que algumas pessoas sequer refletem durante a vida toda, certo dia cheguei à constatação de que a vida é chata.
Claro que me indaguei se não estava generalizando uma impressão que tinha da MINHA vida e a atribuindo a TODAS as vidas. Após certa análise cheguei à conclusão de que não. "Todas as vidas são chatas". Para ilustrar, utilizarei uma situação em que todos nós fazemos nossa escolha:
Durante a vida, existem duas opções máximas e totalmente opostas quando se trata da postura que adotaremos quanto às relações afetivas: ou somos “sossegados”, adotando um estilo mais caseiro, preferindo nos relacionarmos com as “pessoas certas” de uma forma seletivamente cadenciada, ou somos “baladeiros”, adotando um estilo mais “liberal”, aproveitando todas as oportunidades que a vida nos disponibiliza, conhecendo o máximo de pessoas possível. Logicamente existem as opções de meio termo: todas certamente válidas, porém menos significativas para serem usadas no meu exemplo.
Se você opta por ser mais “sossegado”, acaba por achar alguém legal que combine com seu jeito, seus gostos e sua visão de mundo e fatalmente inicia um namoro que findará após alguns anos por motivos variados ou, ironicamente, por falta de motivo para continuar. Dificilmente a rotina não corrói a relação e o que no começo você achava que era amor transforma-se em uma irmandade doentia, regida pelo “piloto-automático” da convivência.
Por outro lado, se sua opção é a de “baladeiro”, você não se considera estático, sua vida é a variedade! Diferentes bares, diferentes noites, diferentes situações, diferentes pessoas, diferentes corpos... tudo diferente! Posso não ser a melhor pessoa para falar sobre esse âmbito, mas, não cansa não? Todo final de semana: balada, bebida, chegar em casa 8 da manhã.... “Pô, peguei várias!”... Será que o próprio ato de beijar várias numa noite não enche o saco uma hora?
Ambos os estilos de vida são entediantes. "Mas então como devemos agir?", pensei. "De que maneira poderemos ser felizes?" Logicamente, eu, como qualquer ser humano, busco a fórmula da felicidade. As pessoas que tentam me ensinar a viver (meus pais) me deram uma dica sobre o assunto outro dia que mudou meu modo de pensar. “A felicidade está nas pequenas coisas”. Claro que a frase é clichê, mas será que você já realmente conseguiu pegar o seu significado? Já parou para pensar como algumas pequenas situações nos proporcionam um bem-estar imenso? Seja um filme assistido com alguém querido, ou um almoço em família, ou uma gargalhada coletiva por razão alguma, ou um ato ingênuo do seu animalzinho de estimação. Esse bem-estar é felicidade! E por que temos tanta dificuldade de identificá-la? Porque ela é simples! Tendemos a mistificar aquilo que não compreendemos e conseqüentemente dificultá-lo.
Portanto, em uma visão mais geral, se a vida é a própria busca pela felicidade, concluo que ela não é chata, mas sim simples.
Sim! A vida é mais simples do que imaginamos.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Inauguração.... pública ou não... piegas ou não...

Inauguro aqui esta "caixa de ideias", este verdadeiro "lixão de pensamentos", onde quem quiser ler o que um jovem maluco não-contemporâneo tem a dizer sobre tudo, todos e principalmente sobre si mesmo, terá uma grande mas pouco importante oportunidade.

Costumava deletar tudo o que eu escrevia... e uma pessoa me convenceu a deixar de fazê-lo. Portanto a culpada de vocês lerem minhas nostalgias é ela e apenas ela.

Pública ou não...
Piegas ou não....

que comece a fluir a Nostalgia Fora de Tempo.